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Sister Steel

Idéias sobre mulheres de aço num mundo de chumbo

 

Corações de pedra, mulheres de aço e tempos de chumbo

Sister Steel - o blog

 

2008

 

July 2008
12th
10:09 pm: Botando em dia
13th
07:12 pm: Incorreto
14th
03:39 pm: O ciclo do desatulhamento
15th
10:08 am: Uncluttering 3 - 1 comment
16th
11:17 am: Entrando nos compartimentos obscuros da minha escrivaninha
18th
11:24 am: Os sedimentos da escrivaninha
20th
09:37 am: A sexta de lua cheia – o melhor dia do ano
09:53 am: Homenagem à Zelda e guardando a memória de Rita
23rd
05:29 pm: Toddy ou suco de laranja?
26th
10:14 am: Os ‘qi’s de dentro e de fora

 

May 2008
26th
12:32 pm: Férias forçadas até meados de setembro
12:33 pm: Curso: Estratégias de treinamento e dieta para controle da composição corporal

 

April 2008
7th
06:32 pm: Hanna e Dark, as terríveis pittbulls

 

March 2008
3rd
10:30 am: Mãe, você é um besouro - 2 comments
4th
10:34 am: A semente da loucura
16th
09:58 pm: O dia internacional do bom atendimento - 3 comments
30th
09:07 pm: Série “horrores da esquerda brasileira” – O começo
 

 

February 2008
2nd
04:22 pm: Lagartas
5th
12:49 am: Gaia

 

January 2008
9th
10:49 am: Zombie - 1 comment
10th
10:37 am: Baratas
17th
11:53 pm: Celina
24th
09:50 pm: Gritos e choro - 1 comment
28th
01:10 pm: Guarachuva - 1 comment

 

2007

December 2007
5th
02:44 pm: A menina mais linda do mundo
6th
12:34 am: Almas gêmeas
06:27 pm: A metáfora do Nautilus (por John W. Sloat)
12th
05:41 pm: Foto de casamento
19th
11:54 am: Silvia
25th
03:22 pm: Cabeça vazia e o espelho invertido do ódio – paz para você
04:21 pm: Por que as virtudes vêm em número sete?
29th
10:26 pm: Sequestro e lágrimas
31st
09:23 pm: Último dia do ano

 

November 2007
2nd
06:35 pm: O beep fantasma
3rd
09:47 pm: NoNoWriMo
15th
10:57 pm: Aranhas
20th
06:10 pm: Demissão
21st
09:52 am: O que será de nós?
22nd
11:51 pm: Lições para um anjo

 

October 2007
2nd
08:21 am: Writer's Block: Two Tickets to Paradise
08:29 am: Sons CD Coletânea um
5th
12:53 am: Monstro do Lago Ness
12:56 am: Projeto Baleia Azul
12:57 am: Purgatório
10:58 am: Cicatrizando
7th
10:51 pm: Tropa de Elite - 5 comments
10th
07:03 am: Big Black Bird
13th
09:49 pm: Yin Yang
16th
12:08 am: A floresta de pontos
11:37 pm: Papel amassado dentro do tórax
18th
07:28 pm: Suicidas e assassinos
19th
12:20 pm: A porta do sótão
20th
10:03 am: Bela Adormecida
10:30 am: Quem será a Bruxa Malvada da Manutenção das Coisas como Elas São?
21st
06:40 pm: Jogos Mortais
24th
06:26 am: “Qualquer amor já é um pouquinho de saúde, um descanso na loucura”
25th
12:45 pm: Cheiros e respostas
27th
01:32 am: Contradições éticas: como evitar a angustia autoritária?
29th
09:48 am: Os saca-rolhas
31st
09:02 am: Cobras

 

September 2007
2nd
09:59 pm: Muita luz atrai inseto - 1 comment
19th
08:19 pm: Ocean Air e BRA: a viagem inesquecível que você NUNCA deve fazer!
22nd
09:52 am: Como exterminar sonhos, esperanças e outros insetos daninhos do jardim da nossa objetividade - 1 comment
25th
10:52 am: Mensageiro - 3 comments
27th
11:50 am: Dejá-vu - 2 comments

 

August 2007
10th
02:20 pm: Bagunça sólida
19th
09:20 am: Canetinha Silvapen - 1 comment
08:02 pm: Dadinho
25th
02:22 pm: Letting go
07:51 pm: Girinos
28th
10:31 am: Nowhere man, ego-trips, redomas virtuais e o trascendente: o bloggeiro chato na vida do Bernardo

 

July 2007
1st
11:12 pm: Cheguei
5th
11:23 am: Desapego
6th
06:25 pm: Despedida
11:43 pm: Os limites da autonomia e da adaptação
14th
02:25 pm: Toda mulher no fundo é bruxa: sacerdotizas, curandeiras e irmãs - 2 comments
15th
08:01 pm: Dementor’s Kiss (aos fãs de Harry Potter como eu)
19th
10:34 am: O pacto
22nd
12:39 pm: Pedir perdão sem fazer reparação é retórica manipulativa
26th
04:35 pm: Med-free

 

June 2007
1st
08:34 am: Guerreira Viking - 1 comment
17th
04:19 pm: Galera, juro que está tudo bem - 1 comment
18th
04:38 pm: Réquiem para uma amizade, mas não um sonho
20th
11:50 am: Bituca de cigarro no fundo do copo
27th
11:31 pm: Medo
30th
07:51 pm: A Lua 2
07:57 pm: A Lua

 

May 2007
4th
09:51 pm: O erro deles na verdade foi meu - 2 comments
7th
09:35 am: Decepções e a voz regenerativa da verdade
13th
11:06 am: Dia das mães
11:51 am: Sandman
14th
12:51 pm: Resquícios - 1 comment
22nd
08:21 pm: Sem ressaca - 1 comment
28th
10:05 pm: Abelardo e Heloísa
29th
07:44 pm: O nada que cresce sem parar
 

 

April 2007
2nd
02:45 pm: Espelhos
3rd
07:37 pm: Guia para observar meu ovo na Catedral de Brasília – para Sandman
6th
06:09 pm: Síndrome de Chapeuzinho Vermelho
7th
11:14 am: Talismã - 2 comments
8th
10:16 am: Nessa Páscoa, para você, todos os ovos cósmicos
16th
01:51 pm: Ressaca de Guaira
27th
09:27 am: Killing Moon
30th
08:09 am: Diálogos incríveis

 

March 2007
1st
02:48 pm: Homem gosta de mulherzinha
4th
08:36 pm: Homofobia by Proxy
9th
11:12 am: O Dia Internacional da mulher passou, graças a deus
14th
12:45 am: Cachorrinho novo em casa
19th
10:06 am: “Parêntesis”, ou down to Earth
27th
08:16 pm: “Crash” e o High da sintonia
30th
10:01 am: Olhos abertos com sabão na cara - 1 comment

 

February 2007
4th
10:36 am: O gradiente de empatia
5th
09:22 am: Confiança
9th
11:43 am: “Remember who you are” (para H.M.)
16th
10:01 pm: Cães de Paraisópolis – 1
18th
03:38 pm: Too true to be good
26th
12:02 am: Eu odeio chuva parte 1346
27th
04:11 pm: Mentira, fantasia e faking
09:15 pm: A segunda gaveta - 1 comment
28th
05:57 pm: Síndrome da descarga estragada

 

January 2007
4th
12:16 pm: Conjugando os verbos TER, SER e FAZER – Primeira parte: TER - 7 comments
5th
05:56 pm: Conjugando os verbos TER, SER e FAZER – Segunda parte: FAZER
11th
10:24 am: Conjugando os verbos TER, SER e FAZER – Terceira parte: SER
16th
07:39 am: A veia da co-dependência e uma lição de insignificância
19th
08:38 pm: Lilya 4-ever, hate 4-ever, love... when?
21st
09:34 pm: Nosso primeiro encontro (para Nacho)
23rd
10:58 am: Covardia (ou a Violência Comunicativa da Existência Fantasma) - 3 comments
28th
09:57 pm: Brinquedo Virtual
30th
07:09 pm: Odisséia

 

December 2006
1st
05:14 am: Filhos do Sol
20th
03:39 pm: A grande mãe opulenta e generosa - 1 comment
22nd
06:54 pm: Homenagem ao Big Rider das ondas furiosas do meu mar
24th
12:01 pm: Bad Trip Existencial
25th
09:15 am: Natal 2006
28th
12:50 pm: Gnomos
29th
11:56 pm: Magia
31st
07:51 pm: O Segredo

 

November 2006
22nd
10:20 pm: Eu sou o mar
29th
07:01 pm: Os modelos, a incerteza e o espaço para a esperança
 

 

October 2006
1st
11:48 pm: Vampiros
4th
07:34 am: Mordaça
11th
01:47 am: Endurecer e amadurecer
08:39 pm: Mel em Buenos Aires
16th
12:32 am: “Mãezão: tem café nuevo”
17th
03:04 am: Holismo existencial leva a gente para o buraco
22nd
10:30 pm: A Régua de FR
29th
08:23 pm: Split
 

 

September 2006
1st
08:26 pm: O anjo primeiro (texto da Mel)
2nd
06:41 am: Noite feia de tempestade e goteiras - 2 comments
08:51 pm: 24/7
3rd
05:22 pm: Decretado o fim do período de ceva
4th
08:02 am: Outro pesadelo
12th
09:46 pm: Empty nest - 1 comment
16th
09:11 am: A termodinâmica da solidariedade
17th
04:41 pm: Paulínia
18th
10:12 pm: Coisas que não aparecem nas fotos ou nas idéias publicadas
27th
08:59 pm: A arte de virar as costas
 

 

August 2006
2nd
06:34 pm: Vida paralela
9th
07:06 am: Daltonismo cognitivo
12th

02:40 pm: Torta holandesa

05:47 pm: Habla con el

14th
09:51 am: Derrotas - parte 1
16th
08:21 am: Lençois lavados
17th
09:12 am: Em standby
21st
11:32 pm: Estréias e conclusões
25th
07:17 am: DR e RR
07:17 am: Desculpas
09:00 pm: Confesso
27th
10:57 am: A dor dos outros
 
30th
05:47 am: Pesadelo

 

July 2006
4th
09:23 pm: Culpa e casa
 
8th
10:34 pm: Ciúmes
 
11th
09:58 pm: Beijar, verbo transitivo direto
 
15th
11:48 am: Ana correndo na chuva
 
16th
07:19 pm: Mala arrumada no armário
30th
01:47 pm: Ódio - 2 comments

 

June 2006
12th
04:25 pm: Corações de pedra, mulheres de aço e tempos de chumbo
13th
05:38 pm: Seios
14th
12:57 am: Cheap Thrills e as amizades complexas
15th
11:04 am: Barbies
18th
07:23 pm: Sobre ser a única garota da área
19th
10:37 pm: Leite derramado
21st
10:49 pm: Jeannie é um gênio, mas tem garrafa
23rd
11:54 am: Filha
29th
01:12 pm: Rituais

 

Corações de pedra, mulheres de aço e tempos de chumbo

Eu nasci em 1963, numa família que já contava com 2 meninos de respectivamente 14 e 12 anos e uma menina de 10. Com meus irmãos mal começando a perceber o mundo grande que condicionava tudo que ouviam e sentiam, estourou o golpe militar no ano seguinte aqui no Brasil. Meu irmão mais velho colecionou recortes de jornal, com uma percepção difusa de que aquilo não era nem passageiro, nem trivial.

O mundo lá fora, das coisas, da política e do pensamento, também dava um daqueles passos mais rápidos que de vez em quando a história dá. A histórica passeata de 200.000 pessoas onde Martin Luther King fez seu discurso sobre o sonho (“I have a dream”) aconteceu, John Kennedy foi assassinado em Dallas e Betty Friedan, a mais notória feminista, publicou seu The Feminine Mystique.

Era um mundo de muitos confrontos, movimentos em sentido oposto, de grandes mudanças e muita resistência a elas.

Dez a quinze anos depois, o mundo todo havia se tornado mais sinistro e a euforia ingênua do inicio dos anos 60 se foi. Como disse John Lennon, o sonho havia acabado. Em 1972 o Clube de Roma publicou a obra mais catastrofista do século, Limits to Growth, que previa um futuro negro para o planeta se as relações da sociedade com o ambiente se mantivessem inalteradas. Em 1973 ocorreu o mais sangrento golpe de Estado da América Latina no Chile e o continente submergiu no medo e no silêncio. O movimento feminista evoluiu menos para um amadurecimento de propostas e mais para uma pulverização de perspectivas, deixando as novas gerações de mulheres órfãs de modelos e idéias.

Nesses anos de chumbo eu saí da infância e passei a me dedicar à complicada tarefa de construir para mim mesma uma identidade feminina.

Herdei a responsabilidade de fazer a revolução, de resistir ao que a esquerda oficial me vendeu como um reprovável padrão de comportamento feminino, supostamente associado a valores dominantes, e de abrir mão de minhas paixões e prazeres em nome de confusas noções de obrigações com a humanidade.

Essas heranças se transformaram rapidamente em armadilhas letais. Essa mesma esquerda organizada em partidos, que de compromisso com a justiça social, liberdade e tolerância não tinha e não tem nada, foi o maior obstáculo para que eu tivesse algum acesso ao que quer que fosse minha feminilidade e meu corpo. Dentro desses partidos, fui humilhada, fui (literalmente) estuprada e sobrevivi com muitos danos a todas as tentativas de esmagar minha identidade feminina.

Eventualmente me desvencilhei dos tentáculos deste monstro, mas como boa parte das mulheres da minha geração, fui caindo em muitos outros.

Hoje, depois de muitas mutilações e pedaços perdidos por caminhos escuros e escorregadios, acho que encontrei alguma paz e uma enorme estrada pela frente levando ao desconhecido. Não sei onde ela vai dar, nem que mulher é essa, eternamente em construção, como meu website, vai resultar a cada etapa. Novidade para mim, novidade para o mundo.

Num jeito aparentemente mais duro, hardcore, feito mais de aço e ferro do que de algodão cru, encontrei minha suavidade. Vejo os homens com menos ressentimento, menos desconfiança, mas também com mais melancolia. Mais centrada nesse “núcleo duro”, tenho tido mais ouvidos para as vozes das minhas contemporâneas e aprendido com elas. Mas também tenho aprendido com eles – esses homens, fontes tão constantes do meu medo, da minha curiosidade, da minha perplexidade e da minha esperança.

Do mesmo jeito que nós, grups, talvez estejamos inventando uma nova maneira de ser adultos, sem esterilizar nossas paixões e a interação com nossos filhos, queria ter a esperança de que essa geração de mulheres pudesse inventar uma nova maneira de carregar essa pesada carga de duplo X.

Eu quero falar sobre isso tudo. Dê no que dê.

 

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