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Diabetes Links sobre diabetes, índice glicêmico, carga glicêmica e papel do treinamento
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Absurdos Diabéticos
A diabetes é uma das mais importantes causas de morte indireta hoje no mundo e no Brasil. A forma epidemiologicamente mais relevante é a diabetes tipo 2 (90 a 90% dos casos), cuja incidência aumenta depois dos 40 anos, está relacionada a fatores genéticos e principalmente a problemas de hábitos de vida (alimentação inadequada e sedentarismo). A doença evolui se não tratada, resultando em desordens secundárias como hipertensão, nefropatias, problemas circulatórios, retinopatias e outros problemas.
Estima-se que cerca de 7% da população, em quase todos os países estudados, seja portadora da doença. Entre 1/3 e 50% deste contingente não está diagnosticado e não tem consciência da desordem. Nos Estados Unidos, acredita-se que o número esteja em torno de 20,8 milhões, com 6,2 milhões não-diagnosticados. Estima-se que, nos Estados Unidos, 54 milhões de pessoas têm “pré-diabetes” (uma condição que aumenta o risco de se desenvolver diabetes tipo 2, da qual eu sou portadora e fui diagnosticada aos 16 anos).
No Brasil, o estudo conduzido entre 1986 e 1989 pela Sociedade Brasileira de Diabetes, CNPq e Ministério da Saúde mostrou uma prevalência de 7,6% da doença na população entre 30 e 69 anos. Metade delas não tinha conhecimento da doença. Outros estudos epidemiológicos não foram realizados por uma questão de custo (??), uma vez que este girou em torno de US$ 2,5 milhões na época da primeira pesquisa. Acredita-se que a maior concentração dos portadores esteja no Estado de São Paulo, com uma prevalência de 9,7% (http://www.diabetes.org.br/imprensa/estatisticas/index.php ).
Os órgãos públicos concordam que o impacto da diabetes é sub-notificado e sub-estimado. A American Diabetes Association afirma que a diabetes é a quinta causa de morte nos Estados Unidos, sendo que 224,092 pessoas morreram de causas associadas a ela em 2002 (http://www.diabetes.org/diabetes-statistics/dangerous-toll.jsp ).
Os custos da diabetes para a saúde pública são gigantescos (http://www.pitt.edu/~tjs/diabecon.html ). Inúmeros estudos e programas de monitoramento indicam que estes custos têm apenas aumentado.
É consenso o fato de que a informação sobre os riscos e medidas preventivas é a chave para reduzir o sofrimento individual e custos públicos associados a esta doença. A Organização Mundial de Saúde adotou um programa de orientação para políticas públicas relacionadas a dieta e atividade física para enfrentar, entre outras coisas, a diabetes, considerada um dos resultados mais perigosos dos maus hábitos alimentares e de atividade física contemporâneos (http://www.who.int/gb/ebwha/pdf_files/WHA57/A57_R17-en.pdf ).
A despeito dessa aparente consciência quanto à importância da informação e das mudanças de hábito entre portadores e grupos de risco para diabetes, o que impera nos materiais educacionais dos órgãos públicos e no discurso oficial da medicina é o besteirol desatualizado. Em meia-hora, colecionei, de diversos sites, uma pequena coleção de bobagens ilustrativas:
Este link foi divulgado no site do NIH (National Institutes of Health http://diabetes.niddk.nih.gov/dm/pubs/overview/index.htm ), o maior órgão de pesquisa e ação para a saúde dos Estados Unidos. Uma falsa informação como essa pode ser instrumental para o agravamento da desordem para um portador. Qualquer um que pesquise minimamente conceitos fisiológicos como resposta insulinêmica, índice e carga glicêmica dos alimentos e fisiologia do controle da glicose sabe que isso é absolutamente falso: NÃO, em hipótese alguma o diabético pode comer qualquer coisa que o não-diabético come! A chave para o controle da RESISTÊNCIA A INSULINA, a base fisiológica da diabetes tipo 2, é a produção de um ambiente glicêmico adequado aos tecidos endocrinologicamente ativos. Assim, não apenas a carga glicêmica diária importa, mas o timing, a variação de estímulos moduladores de resposta e demanda glicêmica, mas o índice glicêmico do que quer que seja administrado em doses absolutamente bem calculadas. Resumindo: a dieta do diabético, ou seja, a maneira como a demanda calórica diária de um indivíduo portador deve ser suprida, é rigorosamente diferente daquela de um não-portador. Assim, a afirmação, autorizada por nada mais, nada menos, do que o NIH é FALSA!!!
FALSO!!! Isso não acontece!! Não é observado em condições fisiologicamente normais em humanos e as alterações metabólicas necessárias para que o organismo continue ativo sem nenhum suprimento de fontes de carboidrato (diretas ou indiretas) é radicalmente diferente do metabolismo muscular durante exercício físico!
Acho que essa é a pior de todas as bobagens: ABSURDO, FALSO, MENTIRA!!! Total desconhecimento de fisiologia muscular!! Os músculos “finos e compridos” que o ignorante em questão menciona, são conhecidos tecnicamente como fibras tipo 1 e os exercícios de baixa intensidade e alta freqüência são, ao contrário do afirmado, os mais OXIDATIVOS e LIPOLÍTICOS de todos, e não os mais GLICOLÍTICOS!!! Em termos relativos, são os que mais consomem lipídeo, e não glicose, e em termos absolutos, são os que menos consomem qualquer substrato! Além de tudo, são os menores, de menor área de superfície e com menor número de receptores para glicose em termos absolutos! O que um diabético precisa, obviamente, é de MUSCULAÇÃO, exercício de FORÇA, que gere HIPERTROFIA MUSCULAR de modo a aumentar a captação e utilização de glicose!
A tabela abaixo foi preparada para gerar um indicador para “escolha diabética” de alimentos, levando em consideração seu índice glicêmico, sua carga glicêmica e o tamanho da porção. Índices de “escolha diabética” superiores a 1 são pouco recomendados.
Tabela de índice glicêmico, carga glicêmica e qualidade da “escolha diabética” (http://www.mendosa.com/gilists.htm )
|
Alimento |
Índice Glicêmico |
Carga Glicêmica |
Escolha Diabética |
Tamanho da porção (g) |
|
Maçã seca (Australia) |
29±5 |
10,0 |
2,3 |
60 |
|
Média de 10 estudos (banana) |
52±4 |
12,4 |
1,6 |
120 |
|
Tâmaras secas (Australia) |
103±21 |
41,6 |
2,7 |
60 |
|
Média de 3 estudos (manga) |
51±5 |
8,5 |
1,1 |
120 |
|
Papaya madura |
60±16 |
17,4 |
1,9 |
120 |
|
Suco de abacaxi sem açúcar (Dole Packaged Foods, Toronto, Canada) |
46 |
15,4 |
2,3 |
250 |
|
Ameixas secas (Sunsweet Growers Inc., Yuba City, CA, USA) |
29±4 |
9,7 |
2,2 |
60 |
|
Passas (Canada) |
64±11 |
28,5 |
2,9 |
60 |
Frutas são muito mais insulinogênicas do que legumes ou vegetais e seu benefício em termos de conteúdo de micro-nutrientes e fibras é equivalente. Assim, por que prescrever frutas para diabéticos ??? Se nos preocupamos em manter a carga glicêmica total diária suficientemente baixa e fracionada, por que acrescentar alimentos que contenham tamanha concentração de carboidrato e tamanho conteúdo de glicose?
Errado!!! Essa é a velha e já há muito descartada noção de que carboidratos “complexos” (amido, por exemplo), são menos nocivos do que simples (lactose ou frutose, por exemplo). Nada poderia ser mais falso, já que o que importa é a conversão do alimento ingerido em glicose e seu impacto na glicemia. Assim, o que importa são outros indicadores, como o índice e a carga glicêmica. O índice glicêmico de uma batata cozida é de 111 e sua carga glicêmica é de 24,1, ou seja, uma das piores fontes possíveis de carboidrato para um diabético! O índice glicêmico do pão integral comum (não aquele especialmente elaborado para reduzir o IG, como os pães quase sem farinha, também chamados de “pão alemão”) é de 87 e sua carga glicêmica é de 16,5, não muito melhor! Assim, é evidente que não é qualquer amido que pode ser consumido por um diabético e não deixar isso claro é colocar a saúde destes pacientes em risco.
A ridícula figura abaixo é um esquema simplificado dentro das normas de “plain language writing” da composição das refeições “saudáveis” de um paciente diabético encontrado nas orientações do NIH:

A figura mostra inacreditavelmente um HAMBURGER DE FAST FOOD (com seu pão branco ultra-processado de altíssimo índice glicêmico e carne cheia de gordura saturada) e uma BATATA COZIDA (com seu astronômico IG)! O jantar contem bolinho e frutas! O lanche da tarde contem algo que se assemelha fortemente a um sorvete!
Mais para baixo na mesma página desta insuperável figura, a famosa e também ultrapassadíssima “pirâmide alimentar”, oferecendo ao pobre diabético a sugestão de que se alimente predominantemente de amido como pães e batatas (!!), frutas e vegetais na mesma proporção, quantidades bem menores de fontes animais de proteína e quantidades “limitadas” de doces! Como “quantidades limitadas”?? A única limitação possível a um diabético que um profissional com um mínimo de bom-senso deve sugerir é a limitação absoluta!
Passando para as fontes brasileiras, o besteirol fica na mesma linha. A primeira coisa que encontramos no site da Sociedade Brasileira de Diabetes (http://www.diabetes.org.br/nutricao/escalim.php ) é a “pirâmide alimentar”, igualzinha à bobagem comentada no item anterior. Para coroar, as seguintes frases:
- “cereais e tubérculos – o amido deve ser a principal fonte de energia”
- “não há frutas proibidas para quem tem diabetes”
- “o açúcar, o mel e os doces podem prejudicar o controle do diabetes, se consumidos em excesso e fora do esquema alimentar”
Quanto à atividade física, não há diferença dos órgãos estrangeiros: a “atividade física ideal”, para a SBD, deve “ser predominantemente aeróbica, ou seja, deve utilizar oxigênio em suas reações e favorecer a queima de glicose e gordura para fornecimento de energia; Com base nessas informações, as modalidades mais aconselháveis são: caminhada, corrida, natação, ginástica aeróbica de baixo impacto, hidroginástica, ciclismo, dança etc.”
Infelizmente, a comunidade científica mantém uma atitude de bastante conservadorismo quanto a praticamente tudo que diz respeito às estratégias de administração de desordens ou condições crônicas. Questionam dietas hiper-proteicas, atividade física intensa e tratamentos hormonais, tanto na diabetes como nas desordens mentais, envelhecimento e quase tudo onde a qualidade de vida esteja envolvida. Existem explicações sociológicas para esse conservadorismo, do ponto de vista de resistir ao aval à evidência empírica que comece a emergir, não permitindo sua publicações em bons periódicos, e questionando aquela que consegue chegar lá. Colecionei algumas publicações indexadas em relação a estas questões controvertidas e suas referências se encontram aqui: http://www.bodystuff.org/diabetesbib.html .
No entanto, quantos dos 11 ou 12 milhões de diabéticos brasileiros têm acesso a esse questionamento crítico das orientações oferecidas em materiais de “informação para saúde” ou “educação do paciente”? Quantos se sentem seguros para confrontar as prescrições de seus médicos, igualmente mal-informados? Quantos conseguem obter uma dieta detalhadamente calculada levando em consideração os parâmetros relevantes? Este último aspecto é mais crítico ainda, já que dietas nesse nível de detalhe só podem ser, na prática, elaboradas com software adequado em tempo razoável. Eu mesma criei uma planilha e configurei as células para executar cálculos baseados em parâmetros que eu pudesse fornecer para compor a dieta de um portador de diabetes tipo 2. O tempo para criar menus é tão alto que passei a buscar softwares que me ajudassem. Existem alguns – todos em inglês e alimentados com bases de dados de alimentos disponíveis nos supermercados americanos!
Assim, infelizmente, o que concluo deste quadro é que, à semelhança de outras desordens crônicas de alta letalidade, o que a medicina faz hoje com os diabéticos é administrar sua morte lenta e dolorosa, sob a tortura da desinformação e do desconforto farmacológico.
Marília